diagnóstico

A primeira etapa consiste em compreender através de um questionário cuidadoso qual é o problema da mulher, quais as suas preocupações em relação à situação e o que ela espera da consulta. Uma adolescente com períodos abundantes pode desejar iniciar uni contraceptivo oral; uma mulher casada e infelizpode queixar-sede dismenorreia como forma de iniciar um diálogo sobre os seus problemas emocionais. O principal papel do médico é fazer a distinção entre os sintomas menstruais que são um sinal de patologia e aqueles que se enquadram dentro da normalidade na população feminina.

A idade da menarquia tem vindo a diminuir nas últimas décadas, acontecendo nalgumas raparigas ainda na escola primária. Este facto pode ser motivo de preocupação tanto para as jovens como para os pais pelo que devem ser tranquilizados no sentido de que esta situação é normal.

Um ciclo menstrual normal é definido como o que ocorre cada 24-32 dias. Os ciclos são mais regulares entre as idades dos 20 e 40 anos, enquanto perto da idade da menarquia e da menopausa podem ser irregulares, com variações na quantidade dos fluxos e na duração do ciclo. A hemorragia pode durar entre 1 e 7 dias (em média 4-5 dias) embora não haja grande variação em cada mulher. Mais de 90% das perdas sanguíneas ocorre nos primeiros três dias do período. Em média a quantidade da hemorragia é de 40 ml embora este número pouco signifique para a maioria das mulheres. A colheita da história ginecológica numa adolescente, principalmente com idade inferior a 16 anos, pode ser urna tarefa difícil. Se a rapariga vai acompanhada pela mãe, pode sentir-se embaraçada ao responder a determinadas perguntas. Isto pode ser um problema se o sintoma principal é a amenorreia. Neste caso pode ser útil sugerir a realização de uma observação abdominal e pedir à mãe para aguardar fora do gabinete de consulta. A adolescente pode ficar mais à vontade sem a mãe presente. Outra potencial armadilha acontece quando a rapariga toma a pílula e o médico não tem a certeza se os pais têm conhecimento do facto.

Observação

A maioriadas mulheres comproblemas menstruais necessita ser submetida a um exame ginecológico. As excepções incluem adolescentes com dismenorreia primária, em particular as que não são sexualmente activas, e mulheres com amenorreia recente a quem deve ser pedido um teste de gravidez. Deve ser ponderada a necessidade de um acompanhante durante o exame ginecológico.

O exame deve incluir a inspecção do colo do útero para despistar infecções ou pólipos e a palpação bimanual para excluir problemas uterinos. Os motivos deste exame devem ser explicados cuidadosamente assim como cada passo do procedimento. Quando se efectua a colheita para uma colpocitologia deve ser dito o que vai ser analisado e ter o consentimento da mulher; isto é particularmente importante se houver necessidade de excluir uma doença sexualmente transmissível.

Investigação

A necessidade de outros exames complementares depende da história e da observação. Normalmente, só são necessários se houver suspeita de patologia grave, se existem alterações no exame vaginal ou para ajudar a tomar uma decisão terapêutica. Um hemograma completo pode ser útil se o problema é uma menorragia, mas o nível de hemoglobina pode não ser suficiente na avaliação de uma anemia.

Pode haver necessidade de referenciação a um ginecologista para outros exames. Em muitos casos, a explicação dos sintomas pode ser suficiente para tranquilizar adoente. Qualquer tipo de actuação e as razões que a motivam devem ser discutidas com a doente e os seus desejos devem ser tidos em consideração.